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Probabilidade e evolução sempre aparecem no vestibular

Página 3 Pedagogia & Comunicação

São Paulo

05/09/2011 09h00Atualizada em 15/03/2012 23h14

O tema de Literatura do roteiro desta semana tem exercícios para o candidato treinar à vontade. A obra Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, está em seu 12o ano seguido na lista de leituras obrigatórias da Fuvest.

Trata-se de um romance de costumes que retrata a vida carioca na primeira metade do século XIX, enfocando as classes baixas. Segundo alguns críticos, a história tem falhas estruturais, como personagens que são ‘abandonadas’ ao longo do enredo, bem como apresenta dados imprecisos. A obra em si não tem as características românticas do período em que foi escrita, mas também não tem a intenção dos realistas de “desmascarar” a sociedade.

Nos vestibulares, as perguntas podem se referir à caracterização do brasileiro, da malandragem, do jeito de viver “deixando a vida levar”. É uma obra propícia à intertextualidade. Podem aparecer perguntas relacionando o livro com O Auto da Barca do Inferno, O Cortiço, Capitães de Areia entre outras.

De uma das grandes obras de nossa literatura, aproveite para estudar o conteúdo de Português deste roteiro que enfoca período composto e orações coordenadas. É importante entender esses conceitos para reescrever trechos ou períodos, tirar dubiedade ou dar sentido contrário em sentenças, exigências que são comuns em questões dissertativas.

Os vestibulares não costumam mais fazer perguntas solicitando a definição de conceitos, mas trabalham com os sentidos dos textos. O candidato pode até acertar pela intuição, porém se tiver domínio do instrumental resolverá com mais propriedade.

 

O céu é o limite

Instrumental e representação são palavras que definem a matéria desta semana de Geografia. Pontos cardeais, noções de localização e sistemas cartográficos, representação da realidade nas diferentes escalas e sistemas de projeção, fuso horário e tecnologias digitais são alguns tópicos englobados pela cartografia.

Nesse sentido, é relevante lembrar que a cartografia usa cálculos, regras matemáticas, divisões, leitura geográfica para fazer representação do que quiser: desde a quantidade de lixo na rua na segunda-feira e no sábado, a proporção de pobres e ricos em um bairro até onde o relevo é montanhoso ou plano.

Dentre os diversos pontos do tema, a dica é para a relação entre longitude e fuso horário e latitude e climas frios e quentes. Tecnologias de localização, GPS, mapas digitais e 3D podem aparecer nas questões.

 

Muito provável

A parte de análise combinatória – fatorial, binomial, contagem, arranjo, permutação e combinações – será importante para o candidato estudar probabilidade, conteúdo com alta incidência nas provas de Matemática, assim como geometria, trigonometria e funções.

Nessa matéria os exercícios costumam ser clássicos, como os que pedem para calcular as chances de se pegar tal bolinha de um conjunto, como este: “em uma urna há 5 bolas verdes, numeradas de 1 a 5, e 6 bolas brancas, numeradas de 1 a 6. Dessa urna retiram-se, sucessivamente e sem reposição, duas bolas. Quantas são as extrações nas quais a primeira bola sacada é verde e a segunda contém um número par?” (Exercício solicitado num dos últimos Cesgranrio.)

Das disciplinas da área de exatas, colocamos Química de intermediária porque o conteúdo desta semana não exige muitos cálculos. Em cinética química, é importante entender os conceitos de colisões moleculares e energia de ativação para avançar na resolução de perguntas sobre os fatores que influem na velocidade de reação: temperatura, superfície de contato, catalisador, concentração dos reagentes.

O assunto é mais conceitual, não exige muitos cálculos matemáticos. Nos vestibulares, por exemplo, explora-se muito se uma reação precisa de temperatura maior ou menor, maior ou menor concentração, a ação do catalisador etc. O conteúdo costuma aparecer, mas com menos frequência e em menor quantidade que outros, como equilíbrio, que será comentado na próxima semana. Ainda nessa matéria, leitura de gráficos também é importante, e geralmente envolve energia de ativação ou a relação com a velocidade da reação.

 

Evoluindo

Outra disciplina que tem conteúdo certo nos vestibulares é Biologia, com a Evolução. O tema tem aparecido muito nos últimos anos principalmente por causa das discussões a respeito dos 150 anos de publicação de A Origem das Espécies (1859), de Charles Darwin. Dentro do tema, o darwinismo é a principal linha, com a seleção natural e a especiação, que é a formação de novas espécies.

O neodarwinismo, que compreende as teorias sobre a seleção natural e especiação pelas bases genéticas, mutações e recombinação, também pode ser contemplado no vestibular. Não podemos nos esquecer que o surgimento de superbactérias, por exemplo, está relacionado com a atividade humana.

Nas questões sobre diferenciação entre as teorias lamarckista e darwinista, a dica é identificar palavras-chave: seleção remete a Darwin e quando se fala em adaptação, entramos no campo lamarckista.

 

Em meio líquido

Em Física, empuxo e condições de equilíbrio em fluidos são conteúdos da estática dos fluidos cobrados tradicionalmente nos principais vestibulares. O fundamental neste tópico é o Princípio de Arquimedes e o conceito de equilíbrio no caso especial de flutuação. É importante compreender a definição de empuxo, que é uma força vertical e para cima, aplicada pelo fluido no corpo imerso, de mesma intensidade do peso do líquido deslocado.

É importante atentar também que na situação especial de equilíbrio deve-se observar que a resultante das forças aplicadas no corpo é nula. Assim como não é questão de menos importância dominar o conceito de densidade e saber calcular o volume de alguns sólidos como o cubo, o paralelepípedo e a esfera.

Atenção para uma dica de resolução dos problemas: uma confusão muito comum é utilizarmos a densidade do corpo, e não a densidade do líquido deslocado, no cálculo do empuxo.

E já que o tema está sempre presente nos vestibulares, a recomendação é estudar questões de provas dos anos anteriores, pois o assunto não costuma apresentar muitas variações.

 

Todos querem liberdade

Organizamos os conteúdos de História do Brasil e História geral de modo que seja possível se aprofundar no estudo dos diferentes processos de independência, tanto em nosso País como no exterior.

Ao estudar a independência do Brasil devemos analisar os antecedentes que levaram a este processo. A crise do sistema colonial português, visível nas revoltas emancipacionistas de 1789 (Inconfidência Mineira) e 1798 (Conjuração Baiana), e a vinda da Família real portuguesa para o Brasil em 1808 são fatores determinantes para entendermos o processo de independência.

Com muita concentração, percebe-se uma clara continuidade entre os temas estudados na semana passada, referente às revoltas, à crise do sistema colonial e à disseminação das ideias iluministas. As transformações decorrentes da vinda da família real devem ser estudadas pelos aspectos políticos, econômicos e culturais desta nova fase, conhecida como período joanino.

Entre esses aspectos, é preciso notar que em 1808, D. João VI decreta a Abertura dos Portos, e isso significa que o Brasil poderia comercializar com qualquer nação amiga de Portugal, quebrando assim o Exclusivo Colonial (Pacto Colonial) e perdendo (de forma não oficial) o caráter de colônia. O reforço das alianças comerciais com a Inglaterra, visível pelos tratados de 1810, e a fundação do Banco do Brasil e da Casa da Moeda revelam uma mudança clara da postura de Portugal em relação ao Brasil. Por outro lado, com a transformação do Rio de Janeiro em capital do império luso, também ocorreram mudanças culturais como a fundação da Escola de Medicina, Teatro Real, Jardim Botânico, Academia Real de Belas Artes e muitas outras fundações importantes para o desenvolvimento da cidade.

O ápice desse processo é o episódio já conhecido, que atende aos interesses de uma parte da elite brasileira e da própria família real portuguesa.  Os desdobramentos serão estudados na próxima semana.

 

Mudança pelo povo

Em História geral, a independência das Treze Colônias ou dos Estados Unidos da América é tema frequente nos vestibulares. A primeira fase do processo, o estopim da revolução e os fatores que provocaram a luta pela independência são os principais pontos de conteúdos para se estudar para o vestibular.

Os alunos também precisam levar em consideração as diferenças entre a independência norte-americana e a do Brasil. Em nosso País, foi mais um acontecimento político do que social, uma ruptura com Portugal e ficou por aí. Não houve mudanças como as dos EUA: a mão de obra continuou escrava, a oligarquia permaneceu no poder. O povo nem sabia o que estava acontecendo.