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PORTUGUÊS

Texto para os testes 73, 74, 75 e 76.
Se o leitor pensou no que há pouco dissemos, isto é, que naquela família haviam três primos e três primas, e se agora acrescentarmos que moravam todos juntos,
deve ter cismado alguma coisa a respeito. Três primos e três primas, morando na mesma casa, todos moços... não há nada mais natural; um primo para cada prima, e está tudo arranjado. Cumpre porém ainda observar que o amigo de Leonardo tomara conta de uma das primas, e que deste modo vinha a haver três primos para duas primas, isto é, excesso de primo. À vista disto o negócio já se torna mais complicado. Pois para encurtar razão, saiba-se que haviam dois primos pretendentes a uma só prima, e essa era Vidinha, a mais bonita de todas. Saiba-se mais que um era atendido e outro desprezado; logo, o amigo Leonardo terá desta vez de lutar com duas contrariedades em vez de uma.
(Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um Sargento de Milícias)


73. Um traço do estilo do excerto transcrito também se encontrará nas Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Trata-se
a) da neutralidade do narrador.
b) do protagonista com perfil de malandro carioca.
c) da presença de personagens extraídas das camadas populares.
d) das referências diretas ao leitor.
e) do minucioso registro dos costumes cariocas.


74. Há neste texto uma forma lingüística que diverge do padrão culto da língua e que é considerada errada pela gramática normativa, ou seja, pelos gramáticos que defendem o uso lingüístico consagrado pela tradição. Trata-se de
a) emprego de há pouco (1.a linha) no lugar de faz pouco.
b) flexão de número em haviam (2.a linha).
c) o uso do verbo cismar (4.a linha).
d) falta de concordância em vinha a haver (9.a linha).
e) emprego de terá... de (15.a linha) no lugar de terá... que.


75.
Examinando-se aspectos da construção lingüística deste texto, verifica-se que
a) todas as ocorrências da palavra se expressam condição.
b) as reticências marcam uma interrupção provocada por hesitação.
c) o pronome relativo que é complemento do verbo dissemos.
d) a expressão À vista disto refere-se ao que vem posteriormente.
e) as duas ocorrências de isto é indicam retificação.


76. Mantém-se o sentido da frase “Cumpre porém ainda observar” na alternativa:
a) Cumpre, para tanto, ainda observar.
b) Cumpre, portanto, ainda observar.
c) Cumpre, por isso, ainda observar.
d) Cumpre, pois, ainda observar.
e) Cumpre, entretanto, ainda observar.


77. A alternativa em que o segundo falante, em sua resposta, não usa, na conjugação verbal, o padrão culto da língua é:
a) – Mantenho a minha oferta.
    – Se você mantiver a sua oferta, eu também manterei a minha.
b) – Lá há um desfile de carros antigos.
    – Se lá houver um desfile de carros antigos, então não irei.
c) – Não me convêm essas contrariedades.
    – Se essas contrariedades não lhe convierem, também não convirão a mim.
d) – Vou ver nossos antigos professores.
    – Se você vir nossos antigos professores, digalhes que estou com saudades deles.
e) – Proponho-lhe um pacto.
    – Se você me propor um pacto, eu também lhe proporei um.


Texto para os testes 78 e 79.
POR QUE NÃO ME UFANO
A inflação começa a despencar, subjugada pela retração econômica e pelo recuo do dólar, o governo corta meio ponto porcentual da taxa básica de juros e [...] vem dizer que o Brasil “saiu da UTI” e está pronto para sair correndo pelo calçadão? Não é um pacotinho de crédito e uma verba para a agricultura que vão
colocar em marcha uma economia sufocada pelo garrote tributário e fiscal. Com moeda fraca, carga de impostos asinina, educação de baixo teor protéico e carência de sangue externo, o paciente mal está podendo ficar em pé. Depois da convalescência e de umas cirurgias, quem sabe comece a andar [...], mas correr sem tropeçar, mesmo, não passa de um desejo por ora.

(Daniel Piza, O Estado de S.Paulo, 29/6/03)


78. Assinale a alternativa incorreta sobre o texto acima.
a) Tanto inflação quanto Brasil estão personificados no texto, porque se atribuem a ambos características humanas.
b) O emprego do substantivo pacotinho, no diminutivo, não expressa afetividade, mas depreciação.
c) A linguagem metafórica usada pelo autor pertence, em grande parte, ao campo semântico da Medicina.
d) O uso de aspas em “saiu da UTI” explica-se por tratar-se de citação de frase atribuída a um membro do governo.
e) A palavra mesmo, em “mas correr sem tropeçar, mesmo,...”, foi empregada com função adverbial e pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por até, inclusive.


79. Asinina, em “carga de impostos asinina”, significa, no texto,
a) precária.
b) ínfima.
c) grosseira.
d) excessiva.
e) insuficiente.


Texto para o teste 80.
O nheengatu, também conhecido como “língua geral”, a língua que se quer proibir, é a verdadeira língua nacional brasileira. O nheengatu foi desenvolvido pelos jesuítas nos séculos 16 e 17, com base no vocabulário e na pronúncia tupi, que era a língua das tribos da costa, tendo como referência a gramática da língua portuguesa, enriquecida com palavras portuguesas e espanholas. A língua geral foi usada correntemente pelos brasileiros de origem ibérica, como língua de conversação cotidiana, até o século 18, quando foi proibida pelo rei de Portugal. Mesmo assim continuou sendo falada.
Da língua geral ficou como remanescente o dialeto caipira, tema de dicionário e objeto de estudos lingüísticos até recentes. Sobraram pronúncias da língua tupi, reduções e adaptações da língua portuguesa.
[...] E no Nordeste ainda se ouve a suave “fulô” no lugar da menos suave “flor”. Uma abundância de vogais em detrimento das consoantes, até mesmo com a introdução de vogais onde não existiam. No Brasil, a língua portuguesa ficou mais doce e mais lenta, mais descansada, justamente pela enorme influência das sonoridades da língua geral, o nheengatu.

(José de Souza Martins, Folha de S.Paulo, 20/7/03)

80. O texto
a) discute a variedade lingüística oriunda do vocabulário e da pronúncia tupi.
b) critica a permanência das variantes orais populares de origem caipira.
c) demonstra que a língua geral desapareceu sem deixar vestígios na língua atual.
d) aponta a permanência do nheengatu no dialeto caipira.
e) critica a distância entre a língua cotidiana e a língua portuguesa.


81. Considere as seguintes afirmações sobre Libertinagem, de Manuel Bandeira.
I. Neste livro bastante representativo da estética modernista, Bandeira exclui o tema ligado à morte, assunto obsessivo em seus livros anteriores, e aborda assuntos referentes à infância, à utopia, ao amor erótico, ao cotidiano irônico e à poética da geração de 22.
II. Em alguns poemas deste livro, nota-se uma característica fundamental da poética de Bandeira, que é a de levar a simplicidade até a beira do primarismo sentimental, mas sem apelar para o piegas, para a apelação emocional.
III. A linguagem deste livro afasta-se do coloquial, contrariando o ideal lingüístico expresso num de seus poemas, “Poética”, que qualifica como “gostoso” o português popular brasileiro.
Está correto o que se afirma apenas em
a) I.
b) II.
c) II e III.
d) III.
e) I e III.


Texto para o teste 82.
Fora, outrora, diretor-geral do ministério do reino, e sempre que dizia – El-Rei erguia-se um pouco na cadeira. Os seus gestos eram medidos, mesmo ao tomar rapé. Nunca usava palavras triviais; não dizia vomitar; fazia um gesto indicativo e empregava restituir. Dizia sempre “o nosso Garrett, o nosso Herculano”. Citava muito. Era autor. E sem família, num terceiro andar da Rua do Ferregial, amancebado com a criada.

82. Nesse fragmento extraído de O Primo Basílio aparecem elementos caracterizadores de um dos mais famosos tipos da obra de Eça de Queirós. Trata-se de
a) Ernestinho.
b) Sebastião.
c) Jorge.
d) Acácio.
e) Basílio.


Textos para os testes 83 e 84.
Texto I
Uma análise pouco mais atenta do livro mostra que ele foi construído a partir da combinação de uma infinidade de textos preexistentes, elaborados pela tradição oral ou escrita, popular ou erudita, européia ou brasileira. A originalidade estrutural da obra deriva, deste modo, do livro não se basear na mímesis, isto é, na dependência constante que a arte estabelece entre o mundo objetivo e a ficção; mas em ligar-se quase sempre a outros mundos imaginários, a sistemas fechados de sinais, já regidos por significação autônoma. Este processo, parasitário na aparência, é no entanto curiosamente inventivo; pois em vez de recortar com neutralidade
nos entrechos originais as partes de que necessita para reagrupá-las, intactas, numa ordem nova, atua quase sempre sobre cada fragmento, alterando-o em profundidade.

Texto II
Macunaíma representa uma meditação extremamente complexa sobre o Brasil, efetuada através de um discurso selvagem, rico de metáforas, símbolos e alegorias. [...] De certo modo o livro é, como define seu autor, “a aceitação, sem timidez nem vanglória, da entidade nacional”, concebida por este motivo “ permanente e unida”, na desgeografização intencional do clima, da fauna, da flora, do homem, da lenda e da tradição histórica.
Os textos acima foram extraídos do ensaio O Tupi e o Alaúde, estudo de Gilda de Mello e Souza sobre Macunaíma, de Mário de Andrade.

83. Dentre as alternativas que seguem, encontram-se “ razões”, oriundas da análise de Macunaíma, que justificam a originalidade dessa obra, como mostra o texto I, exceto:
a) No desfecho, o narrador apresenta-se como um cantador que se propõe a contar a história de Macunaíma, a qual lhe fora contada por um papagaio.
b) As lendas apresentadas no livro mesclam-se a elementos vários e são alteradas livremente pelo autor.
c) Macunaíma escolhe o português castiço para comunicar às analfabetas icamiabas sua visão do mundo civilizado, tentando incorporar uma cultura alheia.
d) A preguiça, característica do anti-herói mitificado, não o impede de se entregar a aventuras mirabolantes para recuperar a muiraquitã.
e) Macunaíma tem como personagem central um herói, o “herói da nossa gente”, conforme o modelo de Peri, de O Guarani, de José de Alencar.


84. Dentre as alternativas que seguem, há exemplos extraídos de Macunaíma que confirmam a preocupação do autor em retratar o Brasil, como se afirma no texto II, e a dependência cultural existente no país.
Assinale a alternativa que não evidencia essa característica.
a) O “herói” possui cara de criança e um corpo enorme, o que simboliza a vasta extensão territorial do Brasil e a imaturidade cultural.
b) Vei, a sol, propõe a Macunaíma que se case com uma de suas filhas, mas ele ignora o compromisso para ficar com uma portuguesa, como que negando sua realidade tropical para se “europeizar”.
c) Macunaíma, num delírio, fica tentado a partir numa “embarcação muito linda” que o levará à Europa, já que os elegantes passageiros acenavam para ele. Só não parte porque não foi aceito na embarcação.
d) A índia tapanhumas pariu Macunaíma, “preto retinto” que, ao mergulhar num rio mágico, tornou-se branco: “o herói de nossa gente”.
e) A Muiraquitã de Macunaíma é roubada por Venceslau Pietro Pietra, que representa o imigrante, superior ao brasileiro e vitorioso no fim do livro.


Texto para os testes 85, 86, 87 e 88.

CAPÍTULO 68

O VERGALHO


Tais eram as reflexões que eu vinha fazendo, por aquele Valongo fora, logo depois de ver e ajustar a casa. Interrompeu-mas um ajuntamento; era um preto que vergalhava outro na praça. O outro não se atrevia a fugir; gemia somente estas únicas palavras: – "Não, perdão, meu senhor; meu senhor, perdão!" Mas o primeiro não fazia caso, e, a cada súplica, respondia com uma vergalhada nova.
– Toma, diabo! dizia ele; toma mais perdão, bêbado!
– Meu senhor! gemia o outro.
– Cala a boca, besta! replicava o vergalho.
Parei, olhei... justos céus! Quem havia de ser o do vergalho? Nada menos que o meu moleque Prudêncio – o que meu pai libertara alguns anos antes. Cheguei-me; ele deteve-se logo e pediu-me a bênção; perguntei-lhe se aquele preto era escravo dele.
– É, sim, nhonhô.
– Fez-te alguma coisa?
– É um vadio e um bêbado muito grande. Ainda hoje deixei ele na quitanda, enquanto eu ia lá embaixo na cidade, e ele deixou a quitanda para ir na venda beber.
– Está bom, perdoa-lhe, disse eu.
– Pois não, nhonhô manda, não pede. Entra para casa, bêbado!
Saí do grupo, que me olhava espantado e cochichava as suas conjeturas. Segui caminho, a cavar cá dentro uma infinidade de reflexões, que sinto haver inteiramente perdido; aliás, seria matéria para um bom capítulo, e talvez alegre. Eu gosto dos capítulos alegres; é o meu fraco. Exteriormente, era torvo o episódio do Valongo; mas só exteriormente. Logo que meti mais dentro a faca do raciocínio achei-lhe um miolo gaiato, fino e até profundo. Era um modo que o Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas, – transmitindo-as a outro. Eu, em criança, montava-o, punha-lhe um freio na boca, e desancava-o sem compaixão; ele gemia e sofria. Agora, porém, que era livre, dispunha de si mesmo, dos braços, das pernas, podia trabalhar, folgar, dormir, desagrilhoado da antiga condição, agora é que ele se desbancava: comprou um escravo, e ia-lhe pagando, com alto juro, as quantias que de mim recebera. Vejam as sutilezas do maroto!

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)


85. Da leitura do capítulo, pode-se afirmar que
a) o escravo de Prudêncio, chicoteado, expressa uma revolta quanto à situação em que se encontrava.
b) o narrador obedece às regras do Realismo, ao não mostrar emoção diante do que se passa diante de si.
c) a curiosidade dos espectadores impediu que o protagonista agisse da forma que achava conveniente.
d) Prudêncio, mesmo não sendo mais escravo, demonstra respeito e submissão ao narrador.
e) a maneira como Prudêncio trata seu escravo revela a ingratidão com relação a Brás Cubas.


86. A atitude de Prudêncio assemelha-se à de
a) Ninhinha, do conto “A Menina de Lá” (Primeiras Estórias), pois, apesar de criança deficiente, tem domínio sobre os seus pais.
b) Macunaíma, da obra homônima, já que, mesmo mais novo, controla as ações de seus irmãos Maanape e Jiguê.
c) Juliana, de O Primo Basílio, uma vez que, outrora oprimida, passa também a oprimir.
d) Inês de Castro, de Os Lusíadas, pois, mesmo diante da morte, não se mostra submissa a Vasco da Gama.
e) Macabéa, de A Hora da Estrela, pois rejeita a humilhação que sofre do namorado, Rodrigo S. M.

87. O período “Segui caminho, a cavar cá dentro uma infinidade de reflexões, que sinto haver inteiramente perdido” não tem seu sentido alterado em
a) Cavava cá dentro uma infinidade de reflexões antes de seguir caminho e sentir havê-las perdido inteiramente.
b) Ao mesmo tempo que seguia caminho, cavava cá dentro uma infinidade de reflexões que antes eu sentia haver perdido inteiramente.
c) Sinto haver perdido inteiramente uma infinidade de reflexões que eu cavava cá dentro ao seguir caminho.
d) Antes de seguir caminho, cavava cá dentro uma infinidade de reflexões, que sinto ter inteiramente perdido.
e) Quando senti que havia perdido inteiramente uma infinidade de reflexões que havia cavado cá dentro, resolvi seguir caminho.

88. A oposição entre torvo, em “era torvo o episódio do Valongo”, e gaiato, em “achei-lhe um miolo gaiato”, pode ser entendida como, respectivamente, oposição entre
a) sombrio e alegre.
b) irascível e saudoso.
c) sério e infantil.
d) melancólico e lúdico.
e) incompreensível e nítido.


Texto para os testes 89 e 90.
O sociólogo lida com seu material como se o desfecho já se apresentasse nos fatos conhecidos: simplesmente procura a forma pela qual o resultado já se achava determinado pelos fatos. O historiador, não: ele tem de manter sempre uma visão não-determinista em relação ao tema. Tem de se colocar, constantemente, num ponto passado em que os fatores conhecidos ainda parecem permitir diferentes resultados. Se falar de Salamina, deve ser como se ainda os persas pudessem vencer.
(Johan Huizinga, O Conceito de História)

89. De acordo com o texto, é correto afirmar que
a) o sociólogo e o historiador devem manter uma postura semelhante diante de seu objeto de estudo, recusando qualquer interpretação determinista de um fato histórico.
b) a Sociologia tende a ter um enfoque mais pragmático de seu material do que a História, já que aquela possui um compromisso com a verdade científica dos fatos.
c) ao historiador cabe desvendar fatos desconhecidos, enquanto ao sociólogo cabe determinar causas e efeitos de fatos já conhecidos.
d) ao lidar com seu material de forma determinista, o sociólogo muitas vezes chega a conclusões viciadas ou preconcebidas.
e) apesar de conhecer o desfecho dos fatos que relata, o historiador, ao longo de seu trabalho, deve manter a perspectiva de que esses fatos podem admitir diferentes desfechos.


90. Ainda de acordo com o texto, pode-se afirmar que
a) é função do sociólogo, mediante o uso de um método científico, determinar o resultado de processos históricos, como, por exemplo, a derrota dos persas em Salamina.
b) historiadores e sociólogos apresentam uma interpretação diferente da Batalha de Salamina.
c) num relato de natureza histórica, o leitor só deveria saber que os persas perderam a Batalha de Salamina ao final da leitura.
d) ao tratarem da Batalha de Salamina, os historiadores afastaram-se da isenção exigida pela ciência, ao tomarem o partido dos persas.
e) como o historiador mantém uma visão não-determinista do tema de que trata, dificilmente, em seu trabalho, chega a conclusões definitivas.


Texto para os testes 91 e 92.
A laranjeira não existe para dar laranja, existe para produzir e espalhar sua própria semente. A fruta não é o objetivo da planta frutífera, é o que ela usa para carregar suas sementes, é o seu estratagema. Agradecer à laranjeira pela laranja é não entendê-la. Ela não sabe do que nós estamos falando. Suco? Doçura? Vitamina C? Eu?! Você e eu ficamos aí especulando sobre o que a vida quer de nós, e só o que a vida quer é continuar. Seja em nós e na nossa prole, seja na minhoca e na sua. Nossa missão, nossa explicação, é a mesma do rinoceronte e da anêmona. Estamos aqui para fazer outros iguais a nós. Isto que chamamos, carinhosamente, de "eu", com suas peculiaridades e sua biografia única, não é mais do que uma laranja personalizada. Um estratagema da Natureza, a polpa com que a Natureza protege a nossa semente e assim assegura a continuação da vida. Enfim, um grande mal-entendido. E os que passam pelo mundo sem se reproduzir? São caronas. Ganham o brinde mesmo sem merecer o pacote. A Natureza não discrimina.
(Luís Fernando Verissimo, trecho de “Nossa Missão”, crônica publicada em O Estado de S.Paulo, 31/8/03)

91. Há, no texto, analogia entre uma laranja e
a) os genes responsáveis pela transmissão das características hereditárias.
b) a individualidade humana, conjunto das particularidades de um elemento em relação à sua espécie.
c) a evolução, teoria biológica do desenvolvimento progressivo das espécies pela propagação de características genéticas aos descendentes.
d) a vida, cujo objetivo é assegurar sua própria continuidade.
e) o estratagema da natureza para eliminar frutos improdutivos em todas as espécies e resguardar a vida.

92. Considere as seguintes afirmações sobre o texto.
I. Acreditar que a vida tem um propósito especial para cada indivíduo é o “grande mal-entendido” a que se refere o autor no final do texto.
II. Perante a Natureza, o que torna o ser humano superior às demais espécies é a consciência de si mesmo, a busca de um objetivo para sua existência e a capacidade de questionamento diante da vida.
III. A palavra brinde, no texto, é o mesmo que dádiva e refere-se à vida de que usufruímos mesmo sem cumprirmos nosso papel reprodutivo.
Está correto apenas o que se afirma em
a) I.
b) II.
c) I e II.
d) I e III.
e) II e III.


 

PROVA K

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Biologia
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Física
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