Titanic: Naufrágio completa 100 anos

José Renato Salatiel
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Um século depois, o naufrágio do Titanic – um dos maiores desastres da história naval – continua fascinando pessoas de todo o mundo. Em 15 de abril de 1912, o navio inglês afundou após colidir com um iceberg no Atlântico Norte, deixando 1.514 mortos entre passageiros e tripulação. Desde então, se tornou um ícone da cultura ocidental, tema de livros, filmes, peças de teatro, músicas, museus e obras de arte.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

O que tanto chama a atenção do público são os elementos de uma narrativa que, de tão incrível, parece ser fictícia. A história do Titanic combina tragédia, heroísmo, romantismo, sobrevivência, cobiça e questões sociais, características que compõem um retrato da sociedade moderna.

Antes da eclosão das duas guerras mundiais, os avanços tecnológicos alimentavam promessas de um futuro idílico para a espécie humana. O Titanic representava um desses marcos do domínio do homem sobre a natureza na era industrial. Construído pela companhia White Star Line, era o mais luxuoso e moderno navio de passageiros, numa época em que as viagens de longa distância eram feitas em embarcações.

Um dos mitos sobre o naufrágio dizia que o navio era chamado de "inafundável" por seus construtores. O adjetivo seria justificado pelos compartimentos dotados de sistema de escoamentos de água, um dos triunfos da engenharia náutica daquele tempo. Tal alcunha, entretanto, só foi conferida pela imprensa após o desastre.

Outra lenda, perpetuada por filmes, atribuía também aos proprietários o lema "Nem Deus pode afundar". Tal afirmação nunca foi feita, mas ajudou a ressaltar componentes míticos e religiosos na trama do naufrágio.

Além do arrojo científico, o transatlântico exibia o refinamento da belle époque na Europa do começo de século. Tudo foi planejado para priorizar o conforto dos passageiros, o que incluía piscina, ginásio de esportes, bibliotecas, campos de squash, restaurantes e cabines, em ambientes decorados no estilo renascentista e vitoriano.

Mas toda essa comodidade era exclusiva da primeira classe, onde viajavam integrantes da alta sociedade inglesa e norte-americana, como nobres, industriais e empresários. Apartados das celebridades, na terceira classe estavam alojados milhares de imigrantes europeus que partiram em busca do "sonho americano". O navio era, assim, o microcosmo da divisão econômica de classes.


Icebergs

Setecentas e dez pessoas sobreviveram ao naufrágio e fizeram um relato impressionante, cujo quebra-cabeça seria completado décadas mais tarde por pesquisas realizadas a partir da descoberta dos restos do navio, submersos a 3,8 mil metros, em 1985.

No dia 10 de abril o Titanic deixou o porto de Southampton, na Inglaterra, para sua viagem inaugural rumo à Nova York, nos Estados Unidos. Fez escalas na França e na Irlanda, onde embarcaram mais passageiros (homens, mulheres e crianças). Havia um total de 2.224 pessoas a bordo.

O Titanic era comandado pelo capitão Edward J. Smith, veterano dos mares que fazia sua última jornada antes de se aposentar. Morto no acidente, seria retratado ora como um herói ora como responsável pela catástrofe.

Na noite de 14 de abril, a despeito de avisos de icebergs na rota, o Titanic seguia a toda a velocidade (40 km/h). O objetivo era chegar ao destino antes do tempo previsto de uma semana e, assim, vencer a acalorada competição entre firmas de transatlânticos, que disputavam tanto o transporte de passageiros quanto de cargas e correspondência. Conforto, lazer e rapidez eram os requisitos para vencer essa "guerra".

Por isso, quando os vigias deram alerta de um iceberg no caminho da embarcação, era tarde demais para evitar o choque. Uma série de cortes ao longo do casco de aço, numa extensão de 90 metros, causou a inundação de cinco dos seis compartimentos do navio, algo inusitado para os engenheiros que projetaram o sistema à prova d'água.

Com o equilíbrio comprometido, o afundamento se tornou inevitável. O capitão, então, deu duas ordens: uma para enviar mensagens de socorro por telégrafo e outra para que os passageiros deixassem o navio em botes salva-vidas.

Hipotermia

O problema é que havia somente 20 botes, suficientes para 1.178 pessoas ou um terço do total de passageiros. O número, porém, atendia às normas de segurança do começo do século.

A tripulação adotou a convenção internacional de priorizar mulheres e crianças, o que explica a maioria masculina das vítimas. Mas, mesmo assim, os botes deixaram o Titanic aquém da lotação. Entre os motivos, a incredulidade dos próprios passageiros em abandonar uma fortaleza flutuante para se lançarem no abismo escuro e gélido do oceano.

Às 2h20 a proa afundou e, com o peso, o navio rompeu-se ao meio e submergiu. Milhares de pessoas morreram minutos depois de hipotermia (a temperatura da água era de 2 graus negativos). Os sobreviventes foram salvos pela tripulação do Carpathia, fabricado pela concorrente Cunard Line. Entre eles estavam o presidente da White Star, J. Bruce Ismay, dono do Titanic que, acusado de covardia, caiu no ostracismo e foi à falência.

Após a tragédia foram criadas novas normas de segurança internacional marítima. Mas o Titanic, mais do que um episódio da "era de ouro" dos transatlânticos, sobrevive até hoje como uma das mais incríveis histórias da humanidade.

Direto ao ponto

Há 100 anos, em 15 de abril de 1912, ocorreu o naufrágio do Titanic, um dos maiores desastres da história naval do mundo. Durante a viagem inaugural, da Inglaterra aos Estados Unidos, a embarcação colidiu com um iceberg no Atlântico Norte.

 

Sem botes salva-vidas para todos os passageiros, 1,514 morreram, a maioria de hipotermia nas águas geladas. Apenas 710 sobreviveram e contaram uma das histórias mais incríveis da humanidade, sobre coragem, cobiça, covardia e sobrevivência.

 

Na época, os transatlânticos travavam uma disputa acirrada por passageiros e transporte de cargas e correspondência entre os continentes. Rapidez e conforto estavam entre os principais quesitos levados em conta na construção das embarcações.

 

Viajando a toda a velocidade, o Titanic não pode parar a tempo de evitar o choque com o iceberg. E mesmo o moderno sistema de compartimentos à prova d´água – o mais avançado que existia – não impediu que submergisse em pouco mais de duas horas após o acidente.

 

Depois do naufrágio, as normas de segurança marítima foram mudadas. Mas o legado do Titanic iria além, preservado na cultura ocidental na forma de dezenas de livros, filmes, peças de teatro, museus e obras de arte.

 

 

José Renato Salatiel



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