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Terrorismo (2) - A violência indiscriminada como arma política ou religiosa

Antonio Carlos Olivieri, Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

Em 11 de setembro de 2001, a cidade de Nova York foi atingida pelo atentado terrorista mais ousado até agora cometido. Aviões de carreira foram sequestrados e utilizados como mísseis para derrubar as torres gêmeas do World Trade Center, provocando um resultado catastrófico.

Por trás do ataque, que visava desafiar o poderio internacional norte-americano e demonstrar a vulnerabilidade dos Estados Unidos, encontrava-se uma organização islâmica, a Al Qaeda, liderada por Osama bin Laden, que na época estava foragido. Em 2011, o Seals, um lendário grupo especial da Marinha norte-americana, promoveu uma ação temerária e conseguiu finalmente eliminar o líder guerrilheiro que se encontrava refugiado no Paquistão, encerrando dez anos de uma caçada histórica daquele que foi considerado um dos maiores terroristas do mundo.

As dimensões do atentado e suas consequências demonstraram que as ações terroristas se tornavam, em nível mundial, um dos principais problemas políticos e de segurança pública do século 21.

Por hipótese, os mais variados grupos que podem recorrer a essa prática - o terrorismo - não teriam dificuldade de acesso às mais sofisticadas armas de destruição em massa, bem como poderiam se utilizar de uma implacável criatividade para atingir seus objetivos.

 

O que é o terrorismo?

Quais são, porém, esses objetivos? O que é o terrorismo, afinal? Quando essa prática surgiu? A resposta dessas questões pode comportar algumas surpresas. A primeira delas é que a origem mais remota desse problema contemporâneo pode ser encontrada mais de dois mil anos atrás, no mesmo lugar onde atualmente ele ainda é tão comum: o Oriente Médio. Antes de falar disso, porém, vale a pena especificar o conceito da expressão, embora ele seja polêmico.

Por terrorismo, em geral, entende-se o uso sistemático da violência para intimidar um governo ou uma população, de modo a alcançar um objetivo político, ideológico ou religioso. Ou seja, o ato terrorista não visa a atingir somente suas vítimas diretas, mas disseminar o medo, o terror, na sociedade a que elas pertencem.

Nesse sentido, o terrorismo ataca indiscriminadamente, atingindo principalmente alvos civis, o que é a prova mais evidente da inexistência de valores éticos e de reconhecimento pela vida humana nos métodos terroristas, independentemente dos fins a que eles se propõem.

Por isso, o termo passou a designar a violência político-religiosa imoral e injustificada. Tanto que os próprios terroristas – que não pertencem a forças armadas reconhecidas e legais – não se reconhecem enquanto tal. Consideram-se guerrilheiros, rebeldes, revolucionários, separatistas, enfim, qualquer outra palavra que amenize o significado real de suas ações.

 

Terrorismo e Revolução Francesa

Historicamente, os métodos terroristas foram utilizados tanto por organizações de esquerda quanto de direita, por grupos nacionalistas, religiosos, revolucionários e até mesmo por governos constituídos. Nesse sentido, aliás, convém lembrar que a expressão "terror" teve seu primeiro uso no âmbito da política durante a ditadura de Robespierre e Saint-Just, na Revolução Francesa.

O Terror, então, era um instrumento de emergência a que o governo revolucionário recorreu para manter-se no poder. Como governo estabelecido, os franceses mencionados não foram os únicos a usá-lo. Os bolcheviques também o empregaram na Rússia após a Revolução de 1917, da mesma maneira que os fascistas e os nazistas, respectivamente na Itália e na Alemanha, nos anos 1930. Assim também, a ditadura militar brasileira, em especial entre 1968 e 1977.

O terrorismo, entretanto, costuma estar mais identificado às práticas a que recorrem os grupos que visam a combater um governo estabelecido. Sua forma de aplicação clássica é o atentado político que desencadeia uma luta e abre caminho para a conquista do poder.

 

Abaixo o imperialismo romano

O grupo mais antigo a se utilizar desse método foram os zelotes, uma seita e partido político judaico, que desencadeou uma luta contra o poder romano na Judeia, na época do imperador Tito (79-81 d.C.). Entre outras ações, os zelotes assassinavam judeus ricos que colaboravam com Roma.

No entanto, em sentido mais estrito e já com esse nome, as táticas terroristas passaram a ser empregadas no século 19, com a fundação da Irish Republican Brotherhood em 1867, com que os republicanos irlandeses passaram a combater o domínio inglês sobre seu território. Essa irmandade ("brotherhood") foi a precursora do IRA – Irish Republican Army (Exército Republicano Irlandês) que continuou a utilizar-se do terrorismo até o final do século 20.

É provável que os irlandeses tenham exportado suas táticas para as organizações revolucionárias anarquistas russas no final do século 19. Desses grupos, o Narodnaia Volia ("Vontade do Povo") promoveu o atentado mais notório de sua época: o assassinato do czar (imperador) Alexandre 2o, em 1881.

 

Bombas e prêmios

Datam desse mesmo período, as primeiras explosões a dinamite em locais públicos perpetrados pela organização anarquista Bandera Negra, da Catalunha (Espanha). Esse tipo de atentado passou a se repetir, desde então, tanto na Europa como nos Estados Unidos. Nem por isso, os assassinatos foram deixados de lado. O estopim da Primeira Guerra Mundial, por exemplo, foi o assassinato do arquiduque da Áustria-Hungria Francisco Ferdinando em 28 de junho de 1914, em Sarajevo, na Bósnia.

Para finalizar, convém lembrar que políticos que recorreram ao terrorismo, muitas vezes abandonaram essa prática e aderiram a outros métodos de luta, mais legítimos e eficientes para sua causa, tornando-se homens de Estado respeitáveis e chegando a receber o Prêmio Nobel da Paz. São os casos, entre outros, do líder negro sul-africanoNelson Mandela ou do palestino Iasser Arafat (morto em 11/11/2004).

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