Exploração espacial: Missão procura vida em Marte

José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Em 30 de outubro de 1938, véspera do dia de Halloween, o cineasta e radialista americano Orson Welles transmitiu via rádio um programa sobre uma invasão de marcianos aos Estados Unidos. A narração provocou pânico no país.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

A história, na verdade, era uma adaptação da obra “A Guerra dos Mundos”, do escritor inglês H.G. Wells, escrita no século 19 e que ganhou versões para o cinema.

Mas milhares de ouvintes que sintonizaram a rádio quando o programa já havia começado confundiram a peça com um boletim de notícias. Houve correria e congestionamentos em New Jersey e cidades próximas, onde a falsa invasão alienígena foi ambientada.

Na época o rádio era o maior meio de comunicação de massa (não havia TVs) e o mundo estava às vésperas da Segunda Guerra Mundial.

A exploração espacial só começaria no final dos anos 1960, quando o primeiro homem pisou na Lua. Daí, o próximo passo seria chegar a Marte, o planeta mais próximo da Terra e que desperta curiosidade e fascínio desde a Antiguidade.

Mas, haveria vida no Planeta Vermelho?

As primeiras observações mais apuradas, feitas em 1877 (quando o planeta estava em posição mais próxima da Terra), levaram o cientista Percival Lowell a acreditar na existência de canais na superfície marciana, construídos para levar água das calotas polares até as regiões mais secas.

Durante a Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética enviaram sondas espaciais para explorar o planeta. Os primeiros pousos não tripulados, da sonda Viking, ocorreram entre julho e setembro de 1976. Foi uma decepção para quem acreditava em vida extraterrestre: não foram encontrados quaisquer vestígios dela em solo marciano.

Essa visão, contudo, mudaria nas próximas décadas.

No último dia 6 de agosto, a Nasa (agência espacial americana) conseguiu pousar em Marte o Curiosity, o maior jipe de exploração espacial. O veículo faz parte da Mars Science Laboratory (MSL), a mais cara e ambiciosa de todas as missões.

O objetivo do Curiosity é procurar condições de vida na cratera de Gale, localizada próximo ao equador do planeta. São buscadas formas de vida simples, como bactérias. Bem diferentes, portanto, dos homenzinhos verdes imaginados pela cultura popular.

A hipótese de vida microscópica em Marte se consolidou em 1996, quando foi descoberto um meteorito na Antártida com traços de micro-organismos provindos de Marte. Em 2004, dois pousos bem-sucedidos de outros jipes encontraram evidências de que o planeta abrigou vida há bilhões de anos, quando era menos árido e frio. Em 2008, a sonda Phoenix confirmou a existência de água em Marte, o que reforçou a ideia de um passado com clima e condições mais amenas para comportar alguma forma de vida orgânica.
 

Colônia

O Curiosity também medirá a radiação na superfície do planeta, colhendo dados essenciais para uma futura missão tripulada. O objetivo, em longo prazo, é construir uma colônia terrestre em Marte.

O planeta é o que oferece as melhores condições no Sistema Solar para abrigar uma colônia humana. Os dias marcianos são parecidos com os da Terra (apenas 39 minutos a mais) e o planeta possui uma fina camada de atmosfera (0,7% da terrestre) que protege contra os raios solares.

O primeiro desafio é a viagem de 570 milhões de quilômetros, com duração de seis a nove meses. Como não haveria combustível suficiente para um retorno, cientistas especulam que seria uma viagem só de ida.

Depois, será preciso se adaptar ao ambiente inóspito, seco e gelado, do deserto marciano. A atmosfera do planeta é composta de 95% de dióxido de carbono e a pressão atmosférica na superfície é o equivalente a 25 km de altitude na Terra.

Por fim, são desconhecidos os efeitos da baixa gravidade (um terço da terrestre), da exposição à radiação e os efeitos psicológicos do isolamento e confinamento em estações espaciais.

Mas talvez o maior entrave das missões espaciais seja o orçamento, reduzido em tempos de crise econômica. O primeiro sintoma dessa crise na Nasa foi o cancelamento dos voos dos ônibus espaciais. Hoje, para ir ao espaço, os americanos precisam pegar “carona” em espaçonaves russas ou europeias.

A atual missão marciana é a mais cara da história: US$ 2,5 bilhões (R$ 5,07 bilhões). Outras já foram suspensas por conta dos cortes de US$ 300 milhões no orçamento de 2013.

Acredita-se que uma primeira missão tripulada deva ocorrer somente no final da década de 2030, a não ser que se faça uma descoberta surpreendente que motive a demanda por novos recursos. Até lá, colônias marcianas continuarão sendo terreno exclusivo da ficção.
 

Direto ao ponto

No último dia 6 de agosto, a Nasa pousou em Marte o Curiosity, o maior jipe de exploração espacial. O veículo faz parte da Mars Science Laboratory (MSL), a mais cara e ambiciosa de todas as missões.

 

O objetivo do Curiosity é procurar condições de vida no Planeta Vermelho. São buscadas formas de vida simples, como bactérias.

 

A hipótese de vida microscópica em Marte se consolidou em 1996, quando foi descoberto um meteorito na Antártida com vestígios de micro-organismos provindos de Marte. Em 2004, dois pousos bem-sucedidos de outros jipes encontraram evidências de que o planeta abrigou vida há bilhões de anos, quando era menos árido e frio.

 

Em 2008, a sonda Phoenix confirmou a existência de água em Marte, o que reforçou a ideia de um passado com clima e condições mais amenas para abrigar alguma forma de vida orgânica.

 

Marte é o planeta mais próximo da Terra e o que oferece o ambiente mais favorável para receber uma colônia terrestre. Cortes no orçamento da Nasa prejudicaram as missões marcianas, mas é planejada a primeira missão tripulada para o final da década de 2030.

 

Saiba mais

  • A Guerra dos Mundos (Alfaguara): clássico da ficção científica de H.G. Wells sobre uma invasão de marcianos na Terra.
     
  • Próximo Destino: Marte (Panda Books): livro da jornalista Marina Vidigal que traz fatos e curiosidades sobre o Planeta Vermelho.
     
  • A Guerra dos Mundos (2005): adaptação para o cinema do livro homônimo de H. G. Wells, dirigido por Steven Spielberg.

José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação



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