Crise no Oriente Médio: Acordo não garante paz duradoura na Faixa de Gaza

  • Michael Shvadon/Israel Defense Forces

    Tanque Merkava 4 do exército israelense, cujas tropas ficaram de prontidão para desencadear uma ofensiva terrestre.

    Tanque Merkava 4 do exército israelense, cujas tropas ficaram de prontidão para desencadear uma ofensiva terrestre.

Depois de oito dias de ofensiva à Faixa de Gaza, o governo de Israel e o Hamas assinaram um acordo de paz no dia 21 de novembro. A trégua pôs fim à maior operação militar na região desde o conflito de 2008 e a primeira após a Primavera Árabe, que mudou o cenário político do Oriente Médio. Ao todo, 162 palestinos e cinco israelenses morreram em mais de uma semana de ataques.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

Tudo indica, porém, que o acordo – mediado pelo Egito e pelos Estados Unidos – assegure apenas mais um cessar-fogo provisório, em mais de quatro décadas de ocupação israelense e guerras com os árabes.

Israel iniciou a operação militar “Pilar de Defesa” em 14 de novembro, em resposta ao lançamento de mísseis contra cidades israelenses pelo Hamas, grupo radical muçulmano que governa a Faixa de Gaza desde 2007.

Os constantes ataques dos palestinos deixaram em pânico comunidades israelenses que vivem próximas à fronteira. Segundo o governo de Israel, as agressões se intensificaram nos últimos meses, o que motivou a operação.

Por outro lado, os palestinos se queixam do bloqueio que impede a população receber benefícios, deixando-a isolada e cada vez mais pobre na Faixa de Gaza. O embargo, segundo os israelenses, teria o objetivo de impedir a entrada de armas no território.

O Hamas também exigia o término dos assassinatos de suas lideranças, como Ahmed Jabari, chefe do braço armado do grupo, morto no primeiro dia de bombardeios (dia 14).

De acordo com os termos do cessar-fogo, Israel deve interromper os ataques contra a Faixa de Gaza, incluindo a execução de alvos do Hamas. Este, por seu turno, deve parar de lançar mísseis na fronteira israelense.

Outro ponto do documento estabelece o relaxamento do bloqueio à Faixa de Gaza. O texto menciona “a abertura de pontos de cruzamento e facilitação de movimento de pessoas e de transferência de bens” na fronteira. Detalhes referentes ao bloqueio, contudo, dependem ainda de negociações.

Pobreza

A Faixa de Gaza é território estreito, equivalente a um quarto da cidade de São Paulo, localizado entre Israel e Egito, às margens do Mar Mediterrâneo. Apesar disso, possui uma das maiores densidades populacionais do planeta, com 1,5 milhão de habitantes.

Diferente do vizinho Israel, uma potência econômica e militar com 7 milhões de habitantes, Gaza é uma região muito pobre – a maioria dos habitantesvive com US$ 2 ao dia. O país não possui indústrias e a pouca infraestrutura foi destruída na última guerra com os israelenses, há quatro anos.

Em 1967, ao fim da Guerra dos Seis Dias, os israelenses ocuparam territórios palestinos e expulsaram os árabes que viviam na região. Gaza foi um desses territórios ocupados, onde os colonos judeus criaram assentamentos com o aval e estímulo do governo.

Nos anos seguintes aconteceram massacres e atentados terroristas, enquanto tentava-se um acordo de paz entre árabes e judeus. Em 2005, um plano de retirada unilateral de Israel devolveu aos palestinos os territórios ocupados, entre eles a Faixa de Gaza.

Em 2006, o Hamas venceu as eleições parlamentares na Palestina contra o Fatah, partido do líder palestino Yasser Arafat (morto em 2004). Ele se tornou então o mais importante grupo fundamentalista islâmico do Oriente Médio. Mas, diferente do Fatah, o Hamas não reconhece o Estado de Israel e nem acordos de paz.

Desde então, o Hamas lançou milhares de mísseis de curto alcance contra o lado israelense da fronteira, atingindo comunidades judaicas próximas. Em resposta, Israel e seus aliados ocidentais impuseram um embargo financeiro aos palestinos.

No final de 2008, Israel desencadeou uma operação militar contra a Faixa de Gaza que durou quase um mês e deixou 1,4 mil palestinos e 13 israelenses mortos (quatro deles vítimas de “fogo amigo”). Na época, a desproporção de força, resultando na morte de civis palestinos, incluindo crianças, gerou críticas da comunidade internacional contra Israel.

Política

O conflito atual é muito parecido com o de 2008-2009. A diferença é que, no cenário político do Oriente Médio, Israel está mais isolado em consequência da Primavera Árabe (2010-2012). O movimento popular que derrubou regimes ditatoriais na região fortaleceu grupos radicais muçulmanos.

No Egito, um dos países com maior peso político na região, o presidente recém-eleito Mohamed Mursi é uma conhecida liderança do grupo Irmandade Muçulmana, que inspirou a criação do Hamas.

O atual panorama, portanto, favorece o Hamas, que tem mais legitimidade e é visto como foco de resistência contra Israel.

Ao mesmo tempo, a guerra também favorece politicamente os líderes israelenses, a dois meses das eleições gerais em Israel. Pesquisas de opinião pública indicam que o apoio do premiê israelense Binyamin Netanyahu aumentou: ele conta com o apoio de 84% da população, segundo o jornal israelense "Haaretz".

De acordo com especialistas, o governo israelense teria promovido essa campanha militar para colher frutos nas eleições e conseguir apoio de lideranças ocidentais contra a tentativa dos palestinos de conseguir na ONU o reconhecimento de Estado independente.

A tensão entre árabes e judeus na fronteira com a Faixa de Gaza é importante porque mexe com interesses políticos e econômicos na região. O envolvimento de países ocidentais, alinhados à Israel, também aumenta o risco de novos atentados terroristas na Europa e nos Estados Unidos.

Fique Ligado

Os acontecimentos atuais na Faixa de Gaza são desdobramentos do difícil relacionamento entre os povos do Oriente Médio, do qual é importante conhecer ao menos uma síntese, bem como ter uma visão das duas partes em conflito. É importante deixar claro ao estudante que, na eventualidade de ter de se manifestar sobre o tema num exame, não se deve tomar partido, mas procurar entender o problema sob o ponto de vista geográfico e político.

 

Conflitos entre árabes e judeus

 

Estado de Israel

 

Hamas

 

Direto ao ponto

Um acordo entre o governo de Israel e o Hamas pôs fim a oito dias de ofensiva à Faixa de Gaza. Ao todo, 162 palestinos e cinco israelenses morreram em oito dias de ataques. Nada garante, porém, que o cessar-fogo seja duradouro.

 

Israel iniciou a operação militar “Pilar de Defesa” em 14 de novembro, em resposta ao lançamento de mísseis contra cidades israelenses. Já o Hamas, grupo muçulmano que governa a Faixa de Gaza desde 2007, protesta contra um bloqueio que isola o território, um dos mais pobres do mundo.

 

Pelo acordo assinado dia 21, mediado pelos Estados Unidos e Egito, ambos os lados do conflito se comprometeram em encerrar as hostilidades.

 

No final de 2008, Israel desencadeou uma operação militar contra a Faixa de Gaza que durou quase um mês e deixou 1,4 mil palestinos e 13 israelenses mortos. A diferença, em relação aos recentes ataques, é o cenário político pós-Primavera Árabe, que levou à ascensão de partidos políticos religiosos e deixou Israel mais isolado no Oriente Médio.

 



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