Cólera no Haiti: Epidemia já matou mais de mil

José Renato Salatiel, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Quase um ano depois de ser arrasado pelo pior terremoto de sua história, o Haiti sofre com uma epidemia de cólera que matou, até agora, 1.110 pessoas. De acordo com o governo, 18,3 mil haitianos foram hospitalizados com sintomas da doença desde outubro. O caos na saúde pública provocou protestos que deixaram três mortos na capital, Porto Príncipe, a poucas semanas das eleições presidenciais e legislativas.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

O país vizinho, a República Dominicana, e o Estado da Flórida, nos Estados Unidos, constataram os primeiros casos de contaminação, o que significa que a bactéria está se disseminando.

O Haiti é um dos países mais pobres do mundo, com índices recordes de mortalidade infantil, desnutrição e contaminação por Aids. Oitenta por cento da população de 9 milhões de habitantes vive abaixo da linha de pobreza. O país situa-se na Hispaniola, uma das maiores ilhas do Caribe, na América Central.

A precária situação do Haiti é resultado de 200 anos de instabilidade política e catástrofes naturais. A tragédia mais grave aconteceu em 12 de janeiro, quando um terremoto de grau 7 na escala Richter devastou Porto Príncipe.

O tremor deixou 250 mil mortos e afetou um terço da população. Nem mesmo o palácio presidencial escapou da destruição. Desde então, 1,3 milhão de sobreviventes vivem em acampamentos improvisados. Já na época, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um alerta para risco de epidemias.

Os primeiros casos de cólera foram registrados no começo de outubro na região de Artibonite, onde 595 pessoas morreram. Até então, o surto estava isolado. Em novembro, porém, o furacão Tomás, com chuvas e ventos de 140 km por hora, trouxe enchentes e deslocou grupos de desabrigados. Isso fez com que a doença se espalhasse rapidamente pelo restante do país.

Seis das 10 províncias do Haiti já registraram focos da doença. Os hospitais estão superlotados e a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 270 mil haitianos sejam contaminados pela doença nos próximos anos. No dia 16 de novembro, o governo da República Dominicana, país vizinho, confirmou o primeiro caso de cólera desde o início da epidemia.
 

Bactéria

Cólera é uma infecção diarreica aguda, causada pela exposição ou ingestão de comida e água contaminadas pela bactéria Vibrio cholerae. A doença provoca febre, diarreia e vômitos, levando o paciente a se desidratar. Se não for tratada, a vítima morre em poucas horas.

Em 80% dos casos a cólera é tratada com reidratação e antibióticos. Existem também dois tipos de vacinas com eficácia de até dois anos de imunidade. Com os cuidados necessários, a taxa de mortalidade é inferior a 1%. Medidas sanitárias e de higiene pessoal - como lavar as mãos e os alimentos antes do consumo - impedem que a moléstia se alastre.

O problema no Haiti é que, após o terremoto, as pessoas passaram a viver em favelas superlotadas, sem rede de esgoto, acesso a água potável, limpeza urbana ou condições mínimas de higiene. Além disso, há 40 anos não havia registro de cólera no país, e a geração atual de haitianos possui baixa imunidade à doença.

Juntos, estes fatores contribuem para a incidência grave em 40% dos casos, bem superior aos 25% em surtos considerados típicos da enfermidade. Em todo o mundo, estima-se que, por ano, haja de 3 a 5 milhões de contaminados e de 100 a 120 mil mortes atribuídas à cólera. Os dados são da OMS.

Países pobres e em guerra são focos constantes da doença desde o século 19, quando foram documentados os primeiros casos no delta do rio Ganges, na Índia. Desde então, ocorreram sete pandemias com milhões de mortos em todos os continentes. A primeira grande epidemia aconteceu em Bangladesh, em 1816, e se espalhou pela Índia, China e Mar Cáspio. Somente na Alemanha, em 1832, 8 mil pessoas morreram.

A última epidemia começou na Ásia, em 1961, chegou à África em 1971 e na América em 1991. Entre 2004 e 2008, a OMS registrou aumento em 24% dos casos de cólera, em comparação ao período de 2000 a 2004. O caso mais grave desse último ciclo epidêmico aconteceu em Zimbábue, na África, em 2008, e ainda não foi controlado. Até o começo deste ano, havia 99 mil casos confirmados e mais de 4 mil mortes.

Na Nigéria, outras 1.500 pessoas morreram e 40 mil foram infectadas desde janeiro deste ano, na pior epidemia de cólera no país em duas décadas. Países vizinhos também foram contaminados devido às fortes chuvas e inundações.
 

Eleições

Desde o dia 15 de novembro, haitianos protestam contra os soldados da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), que é comandada pelo governo brasileiro. Pelo menos três civis morreram em confrontos com militares.

Parte da população acredita que soldados da missão de paz seriam responsáveis pela contaminação. Os haitianos também se queixam da crise da saúde, que dificulta o atendimento aos doentes. Autoridades locais apontam interesses políticos por trás das manifestações, a poucas semanas das eleições para presidente e parlamentares. A votação está marcada para dia 28 de novembro.

Os conflitos obrigaram o Exército do Nepal, que tem mil soldados no país, a reforçar a própria segurança. O motivo foi um boato de que a epidemia teria iniciado em fossas sépticas usadas pelos militares. Contudo, exames nos soldados descartaram os rumores.

A ONU pediu US$ 164 milhões (R$ 282 mi) para agências humanitárias e doadores. A verba será empregada em programas do governo para combater a doença, principalmente na adoção de medidas sanitárias e de higiene.

Direto ao ponto

Uma epidemia de cólera matou, até agora, 1.110 pessoas no Haiti. De acordo com o governo, 18,3 mil haitianos foram hospitalizados com sintomas da doença desde outubro. O caos na saúde pública provocou protestos que deixaram três mortos na capital, Porto Príncipe, a poucas semanas das eleições presidenciais e legislativas (marcadas para 28 de novembro).

O Haiti é um dos mais pobres do mundo. A situação do país se agravou com um terremoto de grau 7 na escala Richter que devastou Porto Príncipe, em 12 de janeiro. O tremor deixou 250 mil mortos e afetou um terço da população. Desde então, 1,3 milhão de sobreviventes vivem em condições precárias em acampamentos improvisados. A falta de saneamento básico e de água potável contribuiu para que a doença se espalhasse rapidamente.

Cólera é uma infecção diarreica aguda, causada pela exposição ou ingestão de comida e água contaminadas pela bactéria Vibrio cholerae. Os sintomas são febre, diarreia e vômitos, causando desidratação. O tratamento é feito com reidratação e antibióticos. Em todo o mundo, estima-se que, por ano, haja de 3 a 5 milhões de contaminados e de 100 a 120 mil mortes. Países pobres e em guerra são focos constantes da moléstia desde o século 19, quando foram documentados os primeiros casos na Índia.

José Renato Salatiel, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação



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