Câncer: A doença por trás do mito

No final dos anos 1970, a escritora norte-americana Susan Sontag (1933-2004) escreveu um ensaio, intitulado “A Doença como Metáfora”, no qual analisava mitos e tabus envolvendo o câncer. Na época, a doença era considerada uma sentença de morte e, não raro, associada a uma punição divina para uma vida de pecados – da mesma forma como seria a Aids, na década seguinte – ou resultado de emoções reprimidas pelo doente.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

Nas três últimas décadas, avanços na medicina, campanhas governamentais e o acesso a informações mudaram a maneira de as pessoas verem a doença. O câncer deixou de ser um estigma social, cuja mera menção da palavra era evitada entre as famílias e até ocultada do próprio paciente.

O drama dos doentes ganhou rostos conhecidos quando políticos, artistas, atletas e outras figuras públicas revelaram sofrer da enfermidade. Mais recentemente, a imprensa passou a acompanhar os casos de cânceres que afligiram o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, o presidente venezuelano Hugo Chávez, o ator Reynaldo Gianecchini e a apresentadora de TV Hebe Camargo.

Lula foi diagnosticado com um tumor na laringe em outubro do ano passado e, desde então, faz tratamento contra a doença. Seu colega venezuelano, Hugo Chávez, também foi tratado de um tumor, localizado na região pélvica, em duas operações realizadas em Cuba. No Brasil, fãs acompanharam o esforço de cura do ator Reynaldo Gianecchini, vítima de um linfoma, e de Hebe Camargo, submetida a cirurgias para retirada de tumores no intestino e na região do aparelho digestivo.

Os tumores não diferenciam homens ou mulheres, jovens ou velhos, negros ou brancos, ricos ou pobres, famosos ou pessoas comuns. Qualquer um pode ser vítima da moléstia. Hoje, apesar de a cura universal ser um desafio para os cientistas, há formas de tratamento que diminuem o sofrimento dos pacientes. Novos remédios, vacinas e o campo de pesquisas aberto pela biologia genética oferecem melhores perspectivas aos doentes.


Mal da modernidade

O termo câncer, na verdade, se refere a um conjunto de diferentes doenças (mais de 100) caracterizadas pelo crescimento desordenado de células, que pode ocorrer em qualquer parte do corpo. Esse processo forma os tumores malignos, que destroem o tecido afetado e pode se espalhar para outros órgãos – a chamada metástase, que é a principal causa de morte entre pacientes com câncer.

A doença é conhecida desde a Antiguidade, mas os números de casos começaram a aumentar e a chamar a atenção dos governos nos anos 1970. Por volta desse período, a urbanização e industrialização das sociedades, ao mesmo tempo em que elevaram a expectativa de vida da população mundial, causaram uma epidemia de câncer.

O envelhecimento é um dos fatores de desenvolvimento da doença, pois, com a idade avançada, há uma diminuição natural da capacidade do organismo de reparar células defeituosas. Além disso, o morador de cidades fica mais exposto a outros agentes cancerígenos, como poluição, radiação, fumo e má alimentação.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer é hoje uma das principais causas de mortes no mundo, sobretudo em países em desenvolvimento. Em 2008, 7,6 milhões de pessoas morreram de câncer (13% do total de mortes no planeta). Os tipos mais letais são os cânceres de pulmão, fígado, cólon e mama. E o número de casos continuará crescendo, uma vez que a OMS estima 13,1 milhões de óbitos em 2030.

No Brasil, as mortes por cânceres só são superadas por doenças do coração e por causas violentas (acidentes de trânsito e homicídios).

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) apontam que este ano, no Brasil, serão diagnosticados 518 mil novos casos. Os mais comuns são o câncer de pele do tipo não melanoma (considerado mais grave), de próstata, de mama feminina, cólon e reto, pulmão, estômago e colo do útero. Em 2009 ocorreram 164 mil mortes no país, 88 homens e 76 mil mulheres.


Fatores de risco

A doença não é contagiosa. Ela pode ter causas genéticas ou adquiridas por agentes físicos, como a radiação; químicos, como os componentes do cigarro; ou biológicos, como infecções causadas por vírus ou bactérias.

De acordo com a OMS, 30% das mortes por câncer poderiam ser evitadas. Elas são provocadas por maus hábitos, como uso de álcool e fumo, e estilo de vida, como o consumo de alimentos prejudiciais à saúde e sedentarismo. Os demais fatores, principalmente os genéticos, são uma “loteria” da natureza.

O fumo é o maior fator de risco, pois os tumores malignos associados a ele – de pulmão, laringe, boca e esôfago, entre outros – causam 22% das mortes de câncer no mundo. O fumo também é responsável por 71% das mortes por câncer nos pulmões.

De modo geral, a mortalidade por câncer pode ser reduzida com a detecção e tratamento nos primeiros estágios da doença. Por isso, o governo brasileiro promove campanhas contra o câncer de mama, por exemplo, que possui uma alta porcentagem de cura quando diagnosticado na fase inicial, por um médico ou por meio do autoexame.

O tratamento, para curar ou prolongar a vida do paciente, inclui a cirurgia para remoção de tumores, radioterapia e quimioterapia. Na radioterapia são usadas radiações para destruir o tumor, impedindo que se espalhe pelo organismo. Na quimioterapia são empregados medicamentos, aplicados, na maioria dos casos, na veia do paciente. Em alguns tipos de cânceres que afetam as células do sangue é feito o transplante de medula óssea.

Os avanços nas pesquisas médicas melhoraram muito os tratamentos, reduzindo os efeitos colaterais e aumentando muito as chances de cura. Surgiram vacinas e testes genéticos para casos específicos, de origem infecciosa e hereditária.

Ainda que não haja como erradicá-la, dadas a diversidade e complexidade do mal, o homem passou a enxergar a doença por trás do mito. Como disse Sontag, citada no começo deste texto, deixou-se de ver o câncer como “uma maldição, um castigo, uma vergonha”, para vê-lo “apenas como uma doença, uma doença muito grave, mas apenas uma doença”.

Direto ao ponto

Nas três últimas décadas, avanços na medicina mudaram o modo como as pessoas veem o câncer, antes envolto em mitos e estigmas sociais. Contribuiu para isso a exposição de casos da doença em pessoas famosas, como o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, o presidente venezuelano Hugo Chávez, o ator Reynaldo Gianecchini e a apresentadora de TV Hebe Camargo.

 

Os tumores não diferenciam homens ou mulheres, jovens ou velhos, negros ou brancos, ricos ou pobres, famosos ou pessoas comuns. Qualquer um pode ser vítima da moléstia. Hoje, apesar de a cura universal ser um desafio para os cientistas, há novas formas de tratamento que diminuem o sofrimento dos pacientes.

 

A doença é conhecida desde a Antiguidade, mas os números de casos começaram a aumentar e chamar a atenção dos governos nos anos 1970, por conta do aumento de cânceres provocados pelo envelhecimento da população e a maior exposição a fatores externos de risco.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer é uma das principais causas de mortes no mundo, sobretudo em países em desenvolvimento. No Brasil, as mortes só são superadas por doenças do coração e por causas violentas (acidentes de trânsito e homicídios). Estima-se que 30% das mortes por câncer poderiam ser evitadas com a mudança de costumes, como parar de fumar e manter uma alimentação mais saudável.

 

 



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