Com menos de 4 candidatos por vaga, USP oferece cursos que vão de letras a engenharia

Suellen Smosinski
Do UOL, em São Paulo

Em 16 carreiras do vestibular 2013 da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), que seleciona alunos para a USP (Universidade de São Paulo) e para a Faculdade de Ciências Medicas da Santa Casa, a concorrência é de menos de quatro candidatos para cada vaga. Na lista estão principalmente cursos de licenciatura, como matemática e química, e graduações fora da Cidade Universitária, entre elas fonoaudiologia e engenharia de biossistemas.

A falta de informações sobre alguns cursos e o desprestígio da carreira docente são apontados por coordenadores de colégios e cursinhos ouvidos pelo UOL como possíveis causas para a pouca procura por essas carreiras. 

Fuvest 2013: Carreiras com menos de quatro candidatos por vaga

Carreiras Vagas Inscritos Relação c/v*
200 Gestão Ambiental − USP Leste, SP  120 473 3,94
835 Matemática − São Carlos (bacharelado e licenciatura) 95 374 3,94
235 Letras  849 3299 3,89
225 Lazer e Turismo − USP Leste, SP 120 463 3,86
815 Licenciatura em Ciências Exatas − São Carlos 50 186 3,72
805 Informática Biomédica − Ribeirão Preto 40 142 3,55
490 Fonoaudiologia − Ribeirão Preto 30 106 3,53
865 Química − Licenciatura − Ribeirão Preto 40 141 3,53
245 Música − ECA (bacharelado e licenciatura) 35 118 3,37
830 Matemática Aplicada − Ribeirão Preto 45 137 3,04
495 Gerontologia − USP Leste, SP 60 117 2,95
825 Licenciatura em Matemática/Física 260 730 2,81
745 Engenharia de Biossistemas − Pirassununga 60 161 2,68
420 Ciências da Atividade Física − USP Leste, SP 60 158 2,63
820 Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental 40 104 2,6
705 Ciências da Natureza − USP Leste, SP (licenciatura) 120 267 2,23
  • *c/v - candidato por vaga
  • Fonte: Site Oficial da Fuvest

 

A baixa procura por cursos de licenciatura não é exclusividade da Fuvest: "Em licenciatura já há uma preocupação geral que não estamos formando professor, não é uma profissão valorizada", afirma Alberto Francisco do Nascimento, coordenador de vestibular do Anglo. Para Nascimento, o Estado precisa investir em educação, pagando melhor os professores e melhorando a infraestrutura e a segurança nas escolas.

"A procura por cursos de magistério está cada vez mais fraca. Infelizmente, isso não ocorre só na USP. O conceito de professor está muito baixo, a remuneração é baixa e a qualidade dos cursos às vezes não é tão boa", disse Osmar Antônio Ferraz, coordenador de vestibular do Colégio Bandeirantes. 

Para Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora do Curso e Colégio Objetivo, as carreiras que envolvem o magistério são "menos atraentes" do que direito, engenharia e medicina, por exemplo. "Tenho o exemplo do que aconteceu comigo. Quando eu falei que ia fazer geografia fui muito criticada pela minha família. A sociedade estimula os alunos a fazerem determinados cursos", contou.

Sem informação

A falta de informações sobre determinados cursos também pode ser um dos fatores que contribuem para a baixa procura. "Às vezes, certos candidatos prestam vestibular em alguns cursos só pelo nome, esquecendo do principal, que é a proposta do curso e a grade curricular", afirma Ferraz. Ele acredita que o curso de engenharia de biossistemas, em Pirassununga, só não tem mais candidatos por falta de conhecimento: "Tenho alunos que pesquisaram sobre o curso e já se interessaram bastante". 

"Existem cursos bons e as pessoas não sabem o que é. No cursinho, poucos alunos procuram por carreiras novas. Acho muito triste a baixa procura por gerontologia e gestão ambiental, na USP Leste, porque são cursos ótimos", disse Vera Lúcia.

Segundo o coordenador do Colégio Bandeirantes, o problema na USP Leste é que "os cursos, infelizmente, não emplacaram". "O campus da zona leste também não tem uma estrutura adequada e isso influencia muito o candidato. A estrutura é uma preocupação do candidato e das famílias", afirmou Ferraz.

Para Nascimento, o estudante da zona leste também quer fazer os cursos de administração, economia ou engenharia, que só são oferecidos no Butantã. "A USP Leste ficou com uma imagem negativa dos cursos, precisaria ter uma divulgação maior do que os cursos oferecem de currículo e da área de atuação", disse.

Sobra de vagas e reescolha

O coordenador de vestibular do Colégio Bandeirantes acredita que alguns candidatos escolham um curso só por ter baixa concorrência e, consequentemente, ser mais fácil de passar. "Com isso, também acontece a desistência que é um prejuízo para a instituição pública. Outra coisa que acontece é que sobram muitas vagas depois da segunda e da terceira lista", afirma Ferraz.

Para diminuir a sobra de vagas, a Fuvest implantou no ano passado o processo de reescolha. Após as provas e as primeiras listas de aprovados, os vestibulandos que não forem selecionados ainda podem optar por um novo curso, de qualquer carreira, independente da opção escolhida no momento da inscrição, que ainda tenha vagas não preenchidas. A nota final para o processo de reescolha não leva em conta a terceira prova da segunda fase.

No ano passado, estava prevista apenas uma etapa da reescolha, porém a Fuvest acabou fazendo duas. A segunda etapa da reescolha tinha 338 vagas disponíveis, porém 24 delas não foram preenchidas por falta de candidatos interessados. De 5.407 vestibulandos habilitados, 3.867 se inscreveram para a última etapa da reescolha.

Sobraram vagas nos cursos de música (Ribeirão Preto), gerontologia, ciências da atividade física e licenciatura em ciências exatas (São Carlos). Não estão previstas novas chamadas no cronograma do vestibular 2012.
 

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